segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Florbela Espanca



Florbela era uma poetisa portuguesa filha ilegítima João Espanca (com a Antônia Lobo) que foi criada pela madrasta Mariana Inglesa. Sua mãe morreu de neurose,e desde pequena diziam que Florbela havia  puxado o olhar de sua mãe (seu espírito depressivo)  tanto que em 1903 aos 8 anos de idade ela escreve sua primeira poesia " A  Vida e a Morte" que mostra a sua preferência por temas fúnebres,depressivos e nostálgicos.  

Fui apresentada a seus poema na sétima serie por minha professora de redação,mas só recentemente que fui ler suas obras:  Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade,Charneca em Flor, Reliquiae e Trocando Olhares,todos eles reunidos no livro Poemas Florbela Espanca da editora Martins Fontes. A leitura é recomendada pra quem gosta de poesia, pois apesar do pessimismo e da dor em suas obras, elas são fortes e cheias de paixão.


" O amor, por sua parte, é valorizado sobretudo segundo a dor que acarreta, e o receio da solidão, o medo da rejeição,o uso da indiferença na relação amorosa,a propensão para o funéreo - são os elementos que, da poesia oral, Florbela redimensiona sublinhando para si." (Livro -Poesias,Florbela Espanca pág. 28)

"Li um dia, não sei onde/ Que em todos os namorados/ Uns amam muito, e os outros/ Contentam-se em ser amados./ Fico a cismar pensativa/ Neste mistério encantado…/ Digo pra mim: de nós dois / Quem ama e quem é amado?… " ( poesia Li um dia não sei onde)


"Eu queria ser o Mar de altivo porte/ Que ri e canta, a vastidão imensa!/ Eu queria ser a Pedra que não pensa,/ A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,/ O bem do que é humilde e não tem sorte!/ Eu queria ser a árvore tosca e densa/ Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…/ As árvores também, como quem reza,/ Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!/ E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,/ Tem lágrimas de sangue na agonia!/ E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…". ( poesia Desejos Vãos)